Sobre o Yin Yoga / On Yin Yoga

Iniciei a minha exploração pela prática de Yoga há 10 anos, mas foi apenas quando experimentei o Ashtanga Yoga há cerca de 7 anos que me rendi a uma prática diária. Logo desde as primeiras práticas senti uma profunda mudança interna, um desejo cada vez maior de me conhecer, de aprender a respeitar o meu corpo, e uma sede de conhecimento por esta prática que é o Yoga. Soube que o meu caminho era por ali. E assim aprofundei, todos os dias no meu tapete, nos primeiros 2-3 anos com professor, nos últimos anos sem professor, a praticar em casa. Aprofundei lendo livros, praticando com vários professores e viajando para a India, para a origem do Ashtanga Yoga.

Tudo parecia fazer sentido, e com o passar dos anos, cada vez eram mais claros para mim os benefícios desta pratica intensa, que nos verga, que nos dobra, perante todos os obstáculos da vida,e que nos ensina a sermos mais fortes, mais corajosos.

Mas foi também surgindo uma vontade de explorar outros métodos, outros caminhos. Foi quando me deparei com o Yin Yoga. Comecei a ler sobre o método e pareceu-me que era mesmo o que eu estava a precisar: praticar posturas no chão onde se permanece por algum tempo, trabalhando sobretudo as articulações e ligamentos. Com duas crianças pequenas em casa, e sem dormir mais que 2-3 horas por noite, o meu corpo estava a acusar um cansaço extremo e uma prática física exigente estava a retirar-me ainda mais energia do que a dar. Comprei então livros, falei com praticantes e decidi experimentar em casa.

De notar que uma prática Yin (calma, passiva) é o oposto de uma prática Yang (intenso e acelerado), como o Ashtanga. E na primeira vez que me vi sentada no tapete a permanecer nas posturas durante 1, 2, 3 minutos, a sentir desconforto, confrontada com os meus pensamentos, a minha mente começou a reagir: ‘sai daqui, o que estás tu a fazer? Vá levanta-te, inspira braços para cima, expira braços para baixo, salta atrás, salta à frente!’ Típica mente de Ashtangi. Mas lá me aguentei e pratiquei algumas posturas com tempo de permanência de 2-3 minutos. Custou, mas decidi continuar a praticar pelo menos uma vez por semana. Ao fim de duas práticas comecei a sentir uma grande diferença nas minhas ancas que são naturalmente pouco flexíveis. Comecei também a sentir que esta prática passiva me dava tempo e oportunidade de olhar ainda mais para dentro, de aprender a lidar com os sentimentos que vinham à superfície. Percebi que era uma prática muito intimamente ligada ao mindfulness. E mergulhei em livros para saber mais e mais. E comecei a experimentar em mim, diferentes sequências de posturas, diferentes tempo de permanência. Sempre com uma respiração suave com som. Sempre estando presente e observando sem juízos de valor. Tentando perceber de onde vem o desconforto, que emoções estão alojadas em cada parte do corpo. E ao longo de vários meses de prática sinto uma grande transformação, não só ao nível das minhas articulações mas uma transformação interna, uma (ainda!) maior consciência e respeito pelo meu corpo. Um maior entendimento de mim mesma.

Teria lá chegado com a prática de Ashtanga? Provavelmente sim, mas a prática de Yin tem-me trazido outros benefícios que a prática de Ashtanga não traz. A prática de Yin promove o estiramento dos tecidos mais internos, fascia e ligamentos, promovendo a libertação de energia estagnada e de sentimentos alojados nestes tecidos. Uma prática mais Yang, mais muscular não o permite. O maior tempo de permanência nas posturas numa prática de Yin promove ainda o estabelecimento de um maior nível de consciência do nosso corpo, dos nossos sentimentos. Convida a estarmos presentes, a lidarmos com o que está a acontecer, a percebermos o porquê de alojarmos tensões aqui e ali. E não temos por onde fugir, está ali à nossa frente.

A conjugação das duas práticas é na minha opinião perfeita. O equilíbrio entre Yin e Yang, entre o feminino e o masculino, o frio e o quente, o interno e o externo, a Lua e o Sol. Num eterno e contínuo crescimento, entendimento e aceitação de quem somos.

Se quiserem explorar esta prática, venham praticar comigo! Enviem e-mail para rita.amaral.pt@gmail.com para mais informações! 

 

 

I started my Yoga journey ten years ago, but it was only when I tried Ashtanga Yoga at around 7 years ago that I surrendered to a daily pra

ctice. Right from the first practices I felt a profound internal change, an ever increasing desire to know myself, to learn to respect my body, and a thirst for knowledge through this practice that is Yoga. I knew I had found my way. And so I went deep, every da

y on my mat, in the first 2-3 years with a teacher, in recent years without one, practicing at home. I read books, practiced with various teachers and travelled to India, to the origin of Ashtanga Yoga.

Everything seemed to make sense, and as the years went by, the benefits of this intense practice became clear and clear to me. Teaching me to be fierce, how to face life’s obstacles and how to be strong and courageous. But a desire to explore other methods, other ways of this journey also grew within me. That was when I came across Yin Yoga. Being a mother of 2 small children and with only 2-3 hours of sleep per night, I as extremely tired and an intensive physical practice was draining my energy even more. So I began to read about the method and it seemed that it was just what I needed: to practice seated and supine postures, holding them for a certain amount of time in order to stretch more internal tissues. I bought books, talked to practitioners and decided to try it at home.

Note that a Yin practice (calm, passive) is the opposite of a Yang practice (intense and accelerated), like Ashtanga. And the first time I saw myself sitting on my mat holding postures for 1, 2, 3 minutes, I felt deeply uncomfortable and confronted with my thoughts, my mind began to react: ‘Get out of here, what are you doing? Inhale arms up, exhale arms down, jump back, jump through!’ A typical Ashtangi’s mind. But I put up with it and practiced some postures, holding them for 2-3 minutes. It was difficult, but I decided to continue practicing at least once a week. At the end of two sessions, I began to feel such a great difference in my hips, that are naturally quite stiff. I also began to feel that this passive practice gave me more time and opportunity to look further inward, to learn to deal with the feelings that came to the surface. I realized that it was a practice very closely linked to mindfulness, to staying present. And I dived into books to learn more and more. And I began to experiment in myself, different sequences of postures, different holding times. Always with a soft breath with sound. Always being present and observing without judgment. Trying to understand where the discomfort comes from, what emotions are stuck in every part of my body, letting them out, with tears if needed! And over many months of practice I feel a great transformation, not only on my joints but also an internal transformation, a greater awareness and respect for my body. A greater understanding of myself.

Had I possibly gotten there sticking with only Ashtanga? Probably yes, but the practice of Yin has brought me other benefits that the Ashtanga practice has not. The practice of Yin works on more internal tissues, like fascia and ligaments, promoting the release of stagnant energy and blockages and feelings stucked inside these tissues. A more Yang, more muscular practice does not allow this. The longer periods of time we hold postures in a Yin practice,  promotes the establishment of a higher level of awareness of our body, of our feelings. This invites us to be present, to deal with what is happening right now, to realize why we store tensions here and there.

The combination of the two practices is in my opinion perfect. The balance between Yin and Yang, between feminine and masculine, cold and hot, inner and outer, the Moon and the Sun. In an eternal and continuous growth, understanding and accepting who we are.

If you would like to explore this practice, come practice with me! Send me an e-mail to rita.amaral.pt@gmail.com for more informations.

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